Não quero mais vomitar borboletas

Ao som de James Arthur – Say You Won’t Let Go

Faz tempo que eu não escrevia, faz tempo que eu não sentia. Faz tempo que eu não sorria, que não olhava o celular tantas vezes. Faz tempo…
E há tempos que eu venho pensando em como levar uma vida madura, sem expectativas e sem borboletas no estômago para evitar que eu tenha que vomita-las assim que as lágrimas começarem a cair.

Mas o tempo tem suas surpresas. O tempo tem uma mania de jogar na nossa cara que não importa o quanto pensamos em planejar para que não venham pegadinhas no meio do caminho, a gente sempre esbarra no inesperado e se pega pensando: E agora? É dessa vez? Ou eu vou vomitar borboletas de novo?

É que em certa idade a gente não pode mais brincar de amar pra sempre e de repente esvaziar o amor eterno como se fosse um pote de maionese estragado. A gente precisa ter certos cuidados para que a maionese não se misture com as borboletas, já tristes, e cause um estrago maior dentro da gente. Ser feliz requer maturidade, mas acima de tudo requer um toque de sorte, requer que as nossas escolhas sejam no mínimo, bem recompensadas, porque não há nada pior que vomitar borboletas por escolhas ruins.

borboletas
Eu sei, é estúpido pensar que as coisas vão dar errado sem no mínimo tentar, mas entenda, por favor, eu sou cheia de feridas, e vou te falar que essas doeram demais. Não dá pra ficar bancando a adolescente sonhadora como se eu já não tivesse colocado curativos demais nas feridas que eu nem tenho certeza se ainda estão fechadas. É complicado ser adulta, é complicado.

Acontece que a gente passa a vida procurando por alguém pra dividir sonhos e trocar a delicia que é dar sorrisos bobos no meio tarde e no fim, a gente multiplica histórias mal contadas e lágrimas escondidas.

Eu não ando triste, muito pelo contrário, eu ando assustada com a felicidade que tá ameaçando me tomar por inteira, é que eu sou acostumada a afogar borboletas com vinho barato e copos cheios de desesperança. E eu não queria considerar a felicidade uma ameaça, mas já faz algum tempo que borboletas não são coloridas na minha vida, então esse arco-íris próximo soa um tanto como amedrontador, de qualquer forma, que venham as cores, que as borboletas entrem e que possam pintar todo esse vazio preto e branco.

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Um quarto profundo

Um quarto sem muitos detalhes, nada além de uma cama, alguns cobertores para o frio dessa noite e os espelhos fazendo referência a tradição de lugares como esse, deveríamos estar fazendo como a maioria, mas essa minha mania de não seguir regras prevaleceu essa noite… Ligamos uma música e começamos a conversar, eu não quero que você me leve a mal, mas é o máximo que consigo fazer por nós dois hoje, ja deu pra perceber sua pequena frustração, mas o que eu quero é conhecer você, o que realmente você é…. Bebemos um pouco e você me mostra as musica que escuta de verdade, me conta sobre as pessoas que realmente confia e o que realmente acredita, creio eu que esse quarto é o mais divertido de todos, não pelo ato não feito, mas pelo profundo que estamos conseguindo! Não estou me importando muito se nos veremos de novo, na verdade ultimamente não tenho me importado muito com nada, mas eu estou curtindo o momento e sei que você também. Pra  não haver nenhum desentendimento eu digo que a amizade continua e não precisamos continuar com nada, muito menos começar nada… Você me olha assustado, me pergunta o porque de não continuarmos, eu só respondo. – Relaxa, o amanhã deixa para amanhã….