Eu não sou acostumada com coisas boas

Coisas boas são como pequenos raios de luz vindos do sol. Você se assusta no inicio, fecha os olhos e tenta se proteger de alguma forma daquilo no qual era acostumada, mas quando o calor da luz entra por entre os poros que já estavam fechados, de tanto receber o frio, você entende o poder que aquilo tem sobre você, você não fecha mais os olhos pra se proteger, você fecha pra se entregar a sensação boa que aquele calor traz para o seu coração, você abre os braços e dança através de cada pequeno raio chegando e vai se entorpecendo, porque coisas boas entorpecem.

Coisas boas são risadas no meio de um filme qualquer, são carinhos fora de hora e um abraço apertado depois de uma briga.
Coisas boas nos fazem querer levantar com um sorriso no rosto e ter mais motivos pra se dedicar a elas. Coisas boas nos fazem agradecer todos os dias por elas estarem por perto e por fazerem nossa vida mais colorida, porque cor na verdade, tem a ver com o jeito que as coisas boas pintam o nosso dia, e eu preciso dizer que eu tenho ganhado arco-íris.

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Eu encontrei uma coisa boa na vida e eu não sei o quanto as coisas boas na minha vida permanecem, porque eu sou tão ruim em lidar com coisas boas, que eu às vezes as afasto e volto pra sombra sem sol, pro preto e branco acinzentado.

Então, desculpa se, por algumas vezes eu não soube lidar com você ou com a gente, mas é que você é uma coisa tão boa e que tem tantos raios de sol e arco-íris, por todo lado, que as vezes eu não sei lidar, já que passei tanto tempo debaixo da sombra. E desculpa não ser sol, nem arco-íris como eu gostaria de ser, como você é todos os dias pra mim.

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Não quero mais vomitar borboletas

Ao som de James Arthur – Say You Won’t Let Go

Faz tempo que eu não escrevia, faz tempo que eu não sentia. Faz tempo que eu não sorria, que não olhava o celular tantas vezes. Faz tempo…
E há tempos que eu venho pensando em como levar uma vida madura, sem expectativas e sem borboletas no estômago para evitar que eu tenha que vomita-las assim que as lágrimas começarem a cair.

Mas o tempo tem suas surpresas. O tempo tem uma mania de jogar na nossa cara que não importa o quanto pensamos em planejar para que não venham pegadinhas no meio do caminho, a gente sempre esbarra no inesperado e se pega pensando: E agora? É dessa vez? Ou eu vou vomitar borboletas de novo?

É que em certa idade a gente não pode mais brincar de amar pra sempre e de repente esvaziar o amor eterno como se fosse um pote de maionese estragado. A gente precisa ter certos cuidados para que a maionese não se misture com as borboletas, já tristes, e cause um estrago maior dentro da gente. Ser feliz requer maturidade, mas acima de tudo requer um toque de sorte, requer que as nossas escolhas sejam no mínimo, bem recompensadas, porque não há nada pior que vomitar borboletas por escolhas ruins.

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Eu sei, é estúpido pensar que as coisas vão dar errado sem no mínimo tentar, mas entenda, por favor, eu sou cheia de feridas, e vou te falar que essas doeram demais. Não dá pra ficar bancando a adolescente sonhadora como se eu já não tivesse colocado curativos demais nas feridas que eu nem tenho certeza se ainda estão fechadas. É complicado ser adulta, é complicado.

Acontece que a gente passa a vida procurando por alguém pra dividir sonhos e trocar a delicia que é dar sorrisos bobos no meio tarde e no fim, a gente multiplica histórias mal contadas e lágrimas escondidas.

Eu não ando triste, muito pelo contrário, eu ando assustada com a felicidade que tá ameaçando me tomar por inteira, é que eu sou acostumada a afogar borboletas com vinho barato e copos cheios de desesperança. E eu não queria considerar a felicidade uma ameaça, mas já faz algum tempo que borboletas não são coloridas na minha vida, então esse arco-íris próximo soa um tanto como amedrontador, de qualquer forma, que venham as cores, que as borboletas entrem e que possam pintar todo esse vazio preto e branco.