Os socos que a alma dá!

Hoje eu levei um soco na cabeça. Hoje eu levei um soco na alma.
hoje eu levei mais do que eu esperava. Eu levei mais do que eu achei que Deus poderia me dar.
Deus me daria uma pancada tão forte que não doeria tanto quanto essa.
Deus olhou pra mim e disse: “Você não é nada”. Eu nada era melhor do que isso
Nada é pior do que ver minha alma soterrada por esse soco.
E qualquer soco seria mais ameno que esse, porque esse veio dentro, veio de sangue pra sangue, veio de alma pra alma, veio de dentro e de dentro, dói muito mais.
Antes desse soco quem era eu? Depois desse soco quem sou eu?
Eu era ninguém, mas tentava ser todo mundo, agora sou todo mundo tentando ser ninguém.
Tem muito sal no chão, tem muita água no piso, tem muito sangue nesses corações. Tem coisas que só a vida explica, tem coisas que nem o diabo entende, tem coisas e coisas.palavras

A dor e a delícia de sentir

Não tem mais seu nome na agenda, não tem mais suas noticias no feed, não tem mais sua voz do outro lado, não tem mais você na parte fácil de te mandar embora.
Eu conheci a dor e delícia de viver o que nunca existiu, de olhar imagens e perceber os olhos brilharem e o sorriso no canto da boca saltar com naturalidade.
Eu vi o mundo desabar quando você mesmo me empurrou buraco abaixo, e mesmo assim eu voei pelo caminho e tentei enxergar luz na escuridão. Tudo fazia sentido mesmo que não pudesse ser explicado.
Eu senti a saudade bater forte, o orgulho escorregar com tanta facilidade que parecia que nem existiu, eu senti a agonia de escrever mensagens que não seriam enviadas, de escrever textos que não seriam lidos, de montar um mundo que não seria vivido.
Eu segurei lágrimas diante da multidão e do mundo, eu senti o gosto salgado de lágrimas engolidas.
Eu arrombei portas e destruí portões, eu deixei o caminho aberto, abri brechas e derrubei cada muro, com os punhos serrados e machucados eu mantive coragem e força.
Eu desequilibrei o peso das coisas, entreguei bem mais do que recebi.
Eu senti o que é ser cruel com alguém quando se é cruel com a gente, eu despejei frieza porque guardava meu cobertor pra você e no final quem ficou com frio foi eu.
Eu fui feliz em minutos e triste em dias, eu sorri como se subisse num arco iris e chorei como se o mundo fosse acabar em chuva.
Eu joguei pragas e fiz promessas, eu enfrentei infernos eternos e paraísos profundos.
Eu senti medo e o medo me deu coragem, eu tremi e o mundo virou terremoto.
Eu fechei os olhos e imaginei muitas coisas, eu vi tudo o que eu não vivi e mesmo assim eu senti como se tudo aquilo fizesse parte de mim.
reflexo contrario3Eu lembrei de você na tristeza, mas também lembrei na alegria, é que felicidade também me lembrava você.
Eu rezei e pedi você, eu tinha fé e expectativa. Eu rezei também pra te esquecer. Eu cheguei a rezar até pra você se apaixonar, assim o martelo da realidade daria um jeito de me bater forte e quem sabe eu saia desse espaço pequeno que você me mantinha e eu transformava em castelos
Eu escondi solidão, enfrentei o silêncio e convivi com a saudade, eu tive como companhia a sua ausência, mesmo que na sua presença.
Eu gritei a dor e a a ilusão, eu estava no alto da montanha que eu mesma desenhei.
Eu vivi a emoção de te ver e não te ter, de te olhar e não te enxergar, de te abraçar e não poder te proteger, de te alimentar e não me saciar.
Eu sonhei acordada, e acordei quase que sem sonhos,.eu vivi seu mundo sem ao menos perceber que meu universo era que precisava de companhia.
Eu dancei os passos de uma dança agitada, imprevisível, eu cuidei de cada coreografia, mas sempre errava na virada do ritmo, eu colocava “repeat” e pra reviver o som que você ecoava na minha felicidade.
Eu juntei destroços, mas não construí pontes, trouxe você pra mim e esqueci de te trazer comigo.
Eu senti cada ânsia de te de ver e cada frustração de esperar, eu corri estradas vazias e as pernas cansaram.
Hoje eu sei que eu vivi você, vivi verdadeiramente e não há quem negue, bato no peito o prazer e a decepção de amar.
Hoje eu sei que algumas coisas simplesmente não dão certo, hoje eu vivo a certeza de que não vou mais viver pra você!

Eu to sobrevivendo, juro!

reflexo contrário

Eu procuro não falar de muito de você, a saudade é grande e a dor é maior.
Agora mesmo eu ouvi seu nome, foi em uma piadinha sobre você ser o remédio que eu preciso pra curar a gripe que me atacou. Eu chorei, chorei imediatamente após a pronuncia da ultima sílaba do seu nome, que merda!
Eu queria saber como você anda, mas existe algo que anda me impedindo de te procurar, tem algo a ver com vergonha na cara.
Eu ainda ando na dúvida sobre o que dói menos, a sua ausência completa ou a sua presença em parcela. Acho mesmo que são dores diferentes, te ter parcialmente dói porque o outro dia é sempre vazio, a cena é sempre a mesma, eu andando por aí e me arrependendo de não ter mais atitude. Não te ter totalmente dói por motivos até meio óbvios, e o óbvio sempre me doeu como uma faca.
O que eu quero dizer é que dói sabe, e a dor não é localizada, é generalizada, interna e profunda, é grande, dá umas pontadas fortes e tem a mesma intensidade da sua frieza.
Antes eu não tivesse me preocupado com você, preocupação sempre foi o motivo das minhas maiores decepções, mas eu não aprendo e cá estou eu preocupada com você.
Mas nem se preocupa tá? (como se você tivesse feito isso alguma vez) Eu vou ficar bem, amanhã eu vou acordar, vou me ocupar de mais uma semana cheia de coisas pra fazer na expectativa de crescer e amadurecer (mais ainda) e levar no pacote a esperança de te esquecer.

A dor que dói mais

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.

Martha Medeiros

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