Os socos que a alma dá!

Hoje eu levei um soco na cabeça. Hoje eu levei um soco na alma.
hoje eu levei mais do que eu esperava. Eu levei mais do que eu achei que Deus poderia me dar.
Deus me daria uma pancada tão forte que não doeria tanto quanto essa.
Deus olhou pra mim e disse: “Você não é nada”. Eu nada era melhor do que isso
Nada é pior do que ver minha alma soterrada por esse soco.
E qualquer soco seria mais ameno que esse, porque esse veio dentro, veio de sangue pra sangue, veio de alma pra alma, veio de dentro e de dentro, dói muito mais.
Antes desse soco quem era eu? Depois desse soco quem sou eu?
Eu era ninguém, mas tentava ser todo mundo, agora sou todo mundo tentando ser ninguém.
Tem muito sal no chão, tem muita água no piso, tem muito sangue nesses corações. Tem coisas que só a vida explica, tem coisas que nem o diabo entende, tem coisas e coisas.palavras

Eu não quero ser vazia

Ao som de Sia – Alive

Vazia, vivo em lugares cheios. Vazia me sinto, vazia me vejo, vazia me reconheço. Eu sou vazia, mas é de padrões. O Padrão é jogar, é reter sentimento, é segurar uma mensagem, é não admitir que chorou, é postar qualquer coisa em qualquer lugar, é competir e ganhar sem nem precisar se encantar . Os padrões me deixam de saco cheio.

Eu saio nas noites de frio pra esquentar a alma, e nas de calor pra refrescar o coração.
Eu encho os copos pra relaxar os músculos, expor sentimentos, ligar para pessoas que eu quero ouvir a voz, dizer frases que sempre ficam escondidas, dançar a coreografia que me faça feliz, conversar com pessoas nas quais eu simplesmente sinta afinidade pra isso e falar algumas babaquices também, porque eu sou de verdade e não quero ser perfeita, eu quero ser inteira, inteira de erros e acertos, mas inteira.

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Você já parou pra repensar na sua felicidade? Já perguntou se você é feliz? Não pelas coisas que conquistou, mas pela pessoa que se tornou? Já tirou a sua espiritualidade dos livros e versículos e aplicou no ser humano? Quem é você diante de um outro?
Você é feliz porque conquistou tudo o que desejava? Então você não é feliz, você é satisfeito. Eu não sou uma pessoa feliz, porque ninguém é. Eu busco minhas melhores emoções todos os dias, eu esbarro em gente cruel, mas eu também esbarro em gente doce, eu esbarro em tudo o tempo todo, é que eu sou distraída de mente e de alma.

Eu tenho minhas armaduras, que eu tenho usado muito para as defesas, já que os ataques deixaram algumas cicatrizes, mas eu sou guerreira, tenho uma espada de esperança que eu tento todos os dias deixar novinha em folha para a próxima luta.
Eu tenho sentimento de sobra, tenho um mundo de sonhos pra tentarem destruir e não conseguirem, tenho muitos copos pra encher e muitos pra esvaziar, eu tenho coração e alma pra enfrentar o que for preciso e quando tudo der errado, eu ainda vou ter muita esperança e força pra enxugar as lágrimas e levantar de novo.

Eu não sou vazia, vazios são seus padrões.

Ela é de Aquário

Não é por mal que ela desaparece.

Se parece que ela não se importa: isso não é, necessariamente, verdade. Em alguns casos, é. Mas normalmente o que acontece é que ela, cheia de dúvidas e anseios e mergulhada até o pescoço em tudo o que não consegue resolver, prefere erguer as sobrancelhas e mudar de assunto. Às vezes dói. Pra ela, na verdade, dói sempre.

Ela não consegue ver o todo. Se apega aos detalhes. Checa. Verifica. Cutuca e analisa até ficar irritada com a sua própria mania de não ficar na superfície. Às vezes gostaria de não afundar, mas não consegue. O abismo, o buraco, o mar, a correnteza – todas essas coisas lhe são caras e atraentes e ela prefere morrer nos braços das sereias do que só molhar o pé na areia.

Se preocupa tanto que não sabe se as bolsas sob os olhos são por conta das dificuldades pelas quais passa aquele amigo de longa data, ou por medo de acordar e descobrir que o mundo acabou em napalm, ou por medo do que mora dentro dela e que ela nunca quer ver sair de novo. Tem receio de se perder (e não percebe que é perdida por natureza – torta das ideias, coitada).

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Coleciona besteiras. Papéis antigos, embalagens coloridas, bitucas de cigarro. Apega-se aos que passaram pela sua vida com um amor tão avassalador que nunca pede para que eles voltem. Acredita que são lindos mesmo quando estão do outro lado do mundo, e quer que permaneçam lá se estão bem. Ela os quer bem, no final das contas – até tenta guardar rancor, mas tudo passa. Tudo é inconstância, delírio, adeus. Segura o que precisa segurar. O resto, joga ao vento.

Tem mania de dizer o contrário, e pode trocar de lado no meio da conversa porque ou quer te provocar ou porque, realmente, sabe que eu nunca pensei nisso? É orgulhosa até o momento em que não precisa ser mais. Reconhece. Aceita. Às vezes se morde um pouco, quebra um vaso na parede, arrebenta um souvenir, mas: reconhece. Aceita. Se recusa quando precisa e não foge. Foge. Foge demais porque quer ser passarinha (e às vezes ela pensa que já passou da idade de querer qualquer coisa assim).  Muda. É uma pessoa nova quando acorda, outra diferente quando vai dormir.

Beija as mãos que lhe estendem porque acha que amor tem que ser dado assim: na palma aberta, para cima, em oferenda. Em doses que escorrem pelos dedos. Não quer nada que caiba dentro de um punho fechado.

Ela não sabe onde cabe. Às vezes, não cabe.

J. Del Rosso (Texto Original em JáFoste)

Hoje é seu dia

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Não transe.
Não beba.
Não fale.
Não discuta.
Não use essa roupa.
Não sente desta maneira.
Não deixe os pelos crescerem.
Não corte o cabelo tão curto.
Não fale palavrão.
Não pratique esportes.
Não opine.

Mas, hey, sorria! Hoje é seu dia.

Seu dia, vadia. Promíscua. Bruxa. Vagabunda. Safada. Vitimista. Culpada. Puta. Burra. Fraca. Inferior. Cachorra. Feminazi.

Mas, hey, hoje é dia de alegria!

Alegria pra você, que foi guilhotinada. Queimada. Calada. Mutilada. Trancada. Estuprada. Oprimida. Abusada. Assediada. Mal-tratada. Privada.

Mas, hey, toma aqui uma flor!

Sorria.

E engula a dor.

(Petra Pinheiro)

Ele é incerto, esperto e preenche seu deserto

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Ele é todo contente, te espera ficar carente, joga um papo envolvente, te da um abraço quente e te confunde a mente.

Ele é do tipo charmoso, faz o jeito dengoso, seu toque é ambicioso, com um quê de fogoso e outro de amoroso.

Ele sabe sua sintonia, decora sua mania, acalma sua agonia e te tira da monotonia.

Ele sabe o momento de chegar, o que deve falar, chega devagar, sabe tocar, ele não veio pra brincar.

Ele tem beleza, não demonstra fraqueza, convence na sutileza, age com certeza, um toque dele e você sente uma moleza.

Ele é seguro do charme que tem, te joga um olhar e você vem, mostra um sorriso e você fica zen, te agarra com jeito e nem no chão você se mantém.

Ele deixa você se permitir, te faz sorrir, você sabe que ele vai partir, mas agora é hora de se divertir e ele não deixa você cair, então pra que pensar no momento de ir?

Ele aumenta o tesão, diminui a tensão, aumenta sua pulsação, acelera sua respiração, e é essa excitação que aumenta sua atração.

Ele é meio bagunceiro, te joga uma papo traiçoeiro e você treme o corpo inteiro.

Não tente entender, deixa o fogo acender, sem medo de se arrepender, deixa ele te surpreender, a vida é muito curta pra essa tristeza te prender.

O tempo também atrapalha

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Não tenho só dedo podre ou mão necrosada para homens, tenho faro estragado, paladar mentiroso e ilusão atormentada.
Eu deveria receber um prêmio de idiota do ano por cada porcaria na qual já coloquei algum tipo de esperança inútil.
O tempo deveria me amadurecer? Na verdade ele só me fez ficar cada vez mais insegura, indecisa. Lembro de um tempo onde eu era mais imponente, segura, caminhava sem saber o que poderia vir, mas caminhava sem receios, sem o temor da frustração, daí tomei umas doses de cafajestagem na cara e acabei regredindo nesse quesito.
Ah, também já ouvi que o tempo deveria me fazer ser mais seletiva. Bom, acontece que eu to mais fechada e não mais seletiva, se alguém rompe a barreira da desconfiança masculina generalizada eu já acho que vou casar, ter 3 filhos,  cachorro e um marido que lave a louça.
Sei que com algumas mulheres que tomam doses de “homem-droga” acontece o efeito reverso, ficam mais abertas a novas oportunidades, mas todas entendemos que é por que o coração delas só está buscando conforto certo em meio a tanta porcaria que já estragou os sentimentos das coitadinhas.
Eu queria mesmo ter borracha de passado, sem esse blá blá blá de que tempo ensina. Seria mais fácil, mais excitante viver com a ansiedade e expectativa do inesperado e invivido. Acho que as coisas seriam mais intensas, mais verdadeiras, sem jogos baseados em perdas do passado!
Não acredito que o tempo seja tão importante, que precisamos olhar para trás pra saber dar os passos do futuros, bom mesmo seria que o ponto de partida fosse sempre do presente, e que passado ruim fosse extinguido.
Bom mesmo seria não trazer dores, mágoas, cicatrizes, carregar coração calejado de tanto lutar contra a maré das paixões frustrantes.
Fico triste em não poder esquecer a matéria de sofrer, na qual aprendi com tanto professor de “filha-da-putice”por ai…

Quem eu sou quando sou eu mesma?

reflexo contrário

Ao Som de Dani Carlos – Coisas que eu sei

Distraída demais, desastrada demais, dramática demais, fria demais, tudo demais.
Porque eu não posso ser eu mesma sem parecer ser outra pessoa? Porque caralhos eu tenho que saber, perceber e agir da forma que as pessoas acham que seria natural e não a minha própria maneira? É foda ser menos para as pessoas, por querer ser o bastante.

Não sou a menina excluída que fica no canto da parede, mas sou tímida sim.
Eu sou aquela que você vai ver beber, brindar, brincar, sorrir, dançar. Mas se você perceber que existe algo mais para ver, e quiser saber, terá que fazer muito mais do que pedir que eu fale de mim. Acontece que quando você me conhecer de verdade, vai fazer igual a maioria das pessoas, não vai me suportar, se continuar do meu lado será porque gosta de mim, mas sempre tentará me mudar, ou no minimo vai me criticar em cada passo que eu der.

Dos nomes que eu já ouvi, alguns que já me magoaram muito, mas nenhum me ofendeu tanto quanto os olhares que eu já recebi, os suspiros de irritação, a voz buscando paciência diante da vontade de gritar comigo.
Aceitar é diferente de entender, criticar é diferente de aconselhar.
Não tenho tantos talentos quanto as pessoas gostariam, sem exagero, me faltam muitas habilidades, e as que eu tenho, as vezes não são suficientes, sem contar as habilidades que eu já perdi.

Claro que não foi só paulada que já levei, elogios já vieram, mas são diferentes.
O que eu quero dizer é que não acho todo mundo perfeito, faço minhas criticas (quando me perguntam), e tento aceitar da melhor forma, sei lá, cada um tem suas diferenças e não é porque você não chora em final de novela como eu, que não tenha sentimentos.
Todos nós temos o direito de ser diferente, de não saber falar as coisas certas nos momentos certos, de não saber se portar nas situações que exigem certa postura, mas todos nós temos o direito de ser aceitos como somos e se isso não for possível que não nos magoem ou pelo menos que tentem não fazer isso.

Acontece que não tem como mudar, peço desculpas a todos que eu decepciono diariamente, mas não é por mal, é que sendo eu mesma eu sempre pareço que estou tentando ser outro ser humano. Só a gente sabe o fardo que carrega todos os dias, o meu pode ser mais maior ou o seu mais longo, mas somente dentro de nós está o peso de cada lágrima que secou antes de cair no chão.
O desabafo aqui não é apelo por compreensão, é um desabafo mesmo.